Por que alguns pensamentos se repetem? Entenda as crenças intermediárias e centrais

Você já percebeu que determinados pensamentos parecem se repetir em situações diferentes?
“Eu preciso fazer tudo certo.”
“Se eu decepcionar alguém, vou ser rejeitado.”
“Não sou bom o suficiente.”
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), compreendemos que, por trás de alguns pensamentos automáticos, podem existir crenças construídas ao longo da vida que influenciam a maneira como interpretamos nossas experiências.
O que são crenças intermediárias?
As crenças intermediárias estão relacionadas às regras, atitudes e pressupostos que desenvolvemos sobre nós mesmos, sobre as outras pessoas e sobre o mundo.
Elas podem aparecer na forma de:
“Eu preciso agradar as pessoas para ser aceito.”
“Se eu pedir ajuda, significa que sou fraco.”
“Tenho que fazer tudo perfeitamente.”
Essas crenças podem orientar nossas escolhas e comportamentos, mesmo quando não percebemos conscientemente sua influência.
E o que são crenças centrais?
As crenças centrais são compreensões mais profundas e abrangentes que uma pessoa possui sobre si mesma, os outros e o mundo.
Elas podem envolver ideias como:
“Sou inadequado.”
“Não sou digno de amor.”
“Sou incapaz.”
Segundo Judith Beck, essas crenças podem ser tão profundas que, quando ativadas, tendemos a percebê-las como verdades — e não como uma forma de interpretar a realidade.
Como tudo isso se relaciona?
Podemos pensar de maneira simplificada:
Crença central → Crenças intermediárias → Pensamentos automáticos → Reações
Por exemplo:
Crença central: “Sou incapaz.”
Crença intermediária: “Se eu não fizer tudo perfeitamente, vou fracassar.”
Situação: receber uma nova responsabilidade no trabalho.
Pensamento automático: “Não vou dar conta.”
Reação: ansiedade, autocobrança e possível evitação.
Compreender essa relação ajuda a perceber por que situações diferentes podem despertar pensamentos e reações semelhantes.
Nossas crenças podem mudar?
Sim.
Na TCC, crenças não são tratadas simplesmente como fatos.
Ao longo do processo terapêutico, podemos aprender a identificá-las, compreender como foram construídas, avaliar o quanto são úteis e precisas e desenvolver formas mais flexíveis de compreender nossas experiências.
O objetivo não é simplesmente trocar uma crença “negativa” por outra “positiva”.
É construir perspectivas mais realistas, funcionais e coerentes com as evidências.
Às vezes, compreender aquilo que pensamos no presente também envolve conhecer as lentes pelas quais aprendemos a interpretar nossas experiências.
Referência
BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.
Conteúdo psicoeducativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado.
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