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Evitar ajuda ou mantém o problema? Entenda as estratégias compensatórias

2 min de leitura

Você já deixou de fazer algo porque imaginou que não conseguiria lidar com o que poderia acontecer?

Ou talvez tenha percebido que costuma agradar excessivamente, buscar garantias, controlar tudo, preparar-se além do necessário ou evitar situações em que poderia falhar?

Esses comportamentos podem funcionar como formas de proteção diante de situações que percebemos como ameaçadoras.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), podemos compreender alguns deles como estratégias compensatórias relacionadas às nossas crenças.

O que são estratégias compensatórias?

Ao longo da vida, podemos desenvolver maneiras de agir para tentar lidar com crenças que temos sobre nós mesmos, sobre os outros ou sobre o mundo.

Imagine uma pessoa com a crença:

“Sou incapaz.”

Ela pode desenvolver uma regra como:

“Se eu não tiver certeza de que vou conseguir, é melhor não tentar.”

E, diante de um novo desafio, pode evitar, desistir ou procrastinar.

Esses comportamentos podem diminuir o desconforto naquele momento, mas também podem impedir que a pessoa tenha experiências capazes de colocar sua crença à prova.

Por que a evitação pode manter o problema?

Imagine que você acredita:

“Se eu falar durante uma reunião, vou fazer algo errado.”

Você decide permanecer em silêncio.

A ansiedade diminui.

No curto prazo, evitar parece ter funcionado.

Mas você também perde a oportunidade de descobrir o que aconteceria se participasse da reunião.

O ciclo pode continuar:

Situação → pensamento e/ou crença é ativado → desconforto → evitação → alívio imediato → crença permanece sem ser testada

É por isso que algo que alivia no curto prazo pode contribuir para manter uma dificuldade no longo prazo.

Toda estratégia compensatória é ruim?

Não necessariamente.

Alguns comportamentos podem ser úteis dependendo do contexto. O importante é compreender a função que aquele comportamento está exercendo e suas consequências.

Podemos começar perguntando:

“O que estou tentando evitar ou impedir quando faço isso?”

“Essa estratégia me ajuda apenas agora ou também a longo prazo?”

“O que eu poderia aprender se respondesse de uma maneira diferente?”

Na TCC, compreender nossos padrões de comportamento ajuda a ampliar possibilidades de escolha.

Afinal, uma estratégia que um dia serviu para nos proteger nem sempre precisa continuar determinando como agimos hoje.

Referência

BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

Conteúdo psicoeducativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado.

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